Para Alvarez
Depois de algum tempo, sua caixa torácica virara um baú.
Toc-toc.
Não era oco, estava apenas repleto de coisas não ditas e promessas quebradas. Resolveu retirá-lo do fundo do peito, é incrível o peso que coisas as coisas vazias tem. Abriu e, que engraçado, viu um saquinho de sementes de raiva e um papel onde estavam listados inúmeros motivos.
Mas, a ira, para alguém sensato, é um terreno que precisa de um longo tempo de preparação: sofreguidão, sequidão, tormentos e negligência.
Passou dias alisando aquele terreno pedregoso, pegou a enxada para plantar as sementes. De súbito, rasgou o saco e engoliu todas as sementes. Cada uma delas. Uma por uma.
E de seus lábios germinou numa flor uma palavra incrivelmente linda:
- Ódio.
Agora, não havia sobrado nada e ela estava preparada para plantar no terreno flores maiores e bem mais bonitas.

6 Tracks:
amei, tia.
Não consigo guardar mágoas por tempo suficiente para que virem ódio.
Sou Poliana demais pra isso.
Gosto assim, da explosão de raiva, que logo depois deixa espaço para novas e melhores coisas.
obrigado, Sun, pela música :)
Ficaria cega de encanto, se não fosse o perigo de cada palavra.
Parabéns!
Bj, Sun.
Sou rancoroso. é foda. mas sou.
abraço
linda!
todas as flores pra você.
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