Apesar do fato de dirigir um Gol prata, 1.0, 2000, sem direção hidráulica e o farol traseiro quebrado; não uso drogas ilegais.
Nem nunca usei.
Isso tem haver, talvez, com o fato de ser proveniente de uma família de maioria absoluta católico-militar e possuir como liberdade de escolha entre perder a minha alma para o inferno ou de ter que fazer xixi em um copo de plástico, caso chegasse em casa com olhos vermelhos por algo além de choro ou conjuntivite.
Mas, na minha adolescência e início da fase adulta, quando eu bebia feito uma desempregada (até pelo fato de ser uma) a pluralidade dos meus amigos curtiam pó, doce, canabis, cana ou afins. Até, mesmo na minha família, é o.k. beber em festas como se não houvesse amanhã e arrumar um Lexotan ou outras drogas legais é mais fácil que pedir um real.
Em meus primeiro, segundo e todos os outros grupos de contato social, é normal conviver com pessoas em estado de consciência alterada. Porém, como sou gente fina e cabeça aberta, mais tarde aceitei também gente que “apenas diz não”. Contudo, devo admitir, tenho um certo bloqueio com relação a alguns destes últimos.
Veja bem, não é um caso de precisão de alterar a consciência, eu própria sou capaz de ir a um bar e tomar apenas suco de goiaba com leite - até porque desenvolvi uma gastrite braba - e me divertir pra caramba. Nem nada contra aqueles que não bebem porque não gostam do sabor da água que passarinho não bebe. É ter um pé atrás com aqueles que têm medo dela. Vão por mim, aqueles que têm medo de alterar a consciência tem o rabo preso com algo.
Na faculdade conheci uma tranqueira dessas. Para proteger a MINHA integridade e não da pessoa, pois ela não tem nenhuma, chamaremos essa garota de a Honorável Feladaputa, na verdade queria chamá-la de Aquela Fudida, mas acho que o problema dela é exatamente ser mal comida.
Entrei em um grupo de pesquisas sobre o Sagrado e o Profano e suas readequações na atualidade. Vi essa menina tímida, magrinha, anêmica, usando um par de óculos brega e reclusa em um cantinho, era a Honorável Feladaputa. Praticamente um Louva-Deus astigmática, a Honorável Feladaputa. A princípio, parecia não fazer mal a seu ninguém, parecia não saber nada da vida. Tinha 22 anos e nunca havia dado um beijinho sequer na boca.
Resolvi fazer dela meu projeto social. Queria mostrar a beleza da vida além, apresentá-la a rapazes reais, e o mais importante de tudo, os óculos horrendos tinham que partir. Dentro das fronteiras campos acadêmicos, formamos um trio e ainda no processo de bacheralamento publicamos trabalhos, escrevemos capítulo para um livro de Antropologia cujo outros autores eram doutores. Fora das fronteiras, tentei fazer um ritual de passagem e iniciá-la na antropofagia de seres masculinos formosos. Levei-a ao meu habitat natural, um certo bar nessa cidade e ela passou a noite bebendo água. Achei aquilo curioso e resolvi perguntar a razão. Dirigindo? Religião? Não gosta do sabor? Nada disso, ela respondeu que não bebia por que tinha medo de não controlar a sua consciência, e na lista de medos esdrúxulo dela estava delirar de febre. Mas, hey, eu também tenho uma lista de medo desfundamentados e não julguei a garota.
Fomos amigas por um tempo, não mais fora do meio acadêmico pois ela não tinha se adequado aos lugares fora do raio casa-faculdade, mas a medida que minhas notas foram ficando mais altas do que as dela, também cresceu o nosso distanciamento na faculdade. Chegou a um ponto que eu entrava na xérox, ela me via lá e saia. Perguntei o motivo uma, duas vezes, e ela nunca abriu o jogo. Talvez, com álcool ou um delírio febril, mas normal, nunca. Daí, os amigos dela também passaram a me ver com olhos estranhos, fiquei incomodada com aquilo, mas criei para mim a ilusão e segurança que bastaria eu bater o pé no chão para que eles saíssem correndo, caso algum dia me sentisse ameaçada.
Nos bacharelamos e nunca mais nos vimos. Eu e a outra do trio inscrevemos nossos trabalhos sobre sagrado e profano em congressos nacionais, sempre citando o nome dela quando mencionado o nosso capitulo. Somos porraloucas éticas.
Em um domingo qualquer, a terça parte do trio me liga e pergunta se eu já havia lido o jornal, disse que sim, e ela menciona um outro jornal que não assinamos aqui em casa, acesso o site. A terça parte do trio não me avisou que ao acessar o site, eu encontraria uma entrevista com a Honorável Feladaputa, sobre o nosso tema, o nosso capítulo, citando o trecho que eu escrevi, se utilizando das minhas palavras, e sem nem por um momento citar os nossos nomes.
Desliguei meu notebook, dirigi-me ao meu armário com todo o acesso de fúria repentina que me é característica e digna do meu apelido “kaboom”. Comecei a atirar as roupas no chão. Minha mãe me perguntou o que eu estava fazendo, expliquei para ela o que havia acontecido e disse que estava procurando algo digno de atear fogo na Babilônia. Convenceram-me que a coisa mais sensata a ser feita era escrever para o jornal, dar os dados e pedir que correções fossem feitas. O fiz e nada aconteceu. Remoí e internalizei minhas conspirações contra a menina. Tanto que já tive sonhos recorrentes de que quebrava a cara dela de variadas formas. O sonho que eu mais gostei foi o que ela era uma mímica em um parque e eu sentava o pau nela e ela nem podia gritar porque não podia emitir um som.
Hoje, eu meio que deixei pra lá. Fui meio que forçada pela minha mãe e pela terça parte, disseram que eu sou extramente rancorosa e explosiva e que devia domesticar meu caráter. É, talvez elas estejam certas, mas de agora em diante eu tenho os dois pés atrás com pessoas que tem medo de alterar o estado de consciência.
Ah, ainda não sei o que devo vestir para atear fogo na Babilônia.

14 Tracks:
Ufa... Vc é realmente muito furiosa. Mas se fosse eu insistiria mandando email pro jornal.
Roubo intelectual é a pior merda que existe.
é uma gradisissima fdp, a "Honorável Feladaputa". Como tem calhorda desonesto nesse meio!!!
entendo bem essa necessidade de kaboom... teu olho tb começa a tremer de odio? X)
Beijos
Sabe qdo isso acontece? qdo superestimamos as pessoas. Vc julgou que aquela menina bobona e cafona jamais poderia lhe fazer mal.Ela era um anjo! Nem tem pq. É nesse momento que a coisa rola entende? Comigo tb foi assim...
Outra cousa, concordo com vc, quem tem medo de se mostrar, é pq sabe-se um merda.
E, em caso de dúvida, vai no pretinho básico que não falha!
beijones
Ah, fala sério. Eu sou boazinha por fora e uma bomba nuclear por dentro. Tinha quebrado a cara da criatura (e isso não é uma metáfora). Ia dar assunto pra ela falar de mim por bem ou por mal.
A palhaça ia citar meu nome todas anoites, quando fosse rezar pedindo proteção.
Beijom!
"O sonho que eu mais gostei foi o que ela era uma mímica em um parque e eu sentava o pau nela e ela nem podia gritar porque não podia emitir um som."
Sunflower.
pronto. citei uma coisa do caralho e muito engraçada e dei o crédito.
tenho um amigo também que diz que não confia em homem que não bebe ou não gosta de futebol.
abração
alterar estado de consciência é comigo mesma, tão comigo mesma que consigo fazer isso sem consumir nada ilícito!
tenho medo de alterar o estado de consciência, mas eu altero assim mesmo! :)
Só com drogas lícitas (desde que não venham da farmácia e sem do boteco)
Kaboom... Hahhaha!
Se quiser companhia, você sabe que eu adoro dar porrada em certas feladaputas, só não o faço com mais frequência com medo de estragar a composição do dia.
Você pode ir de red stileto e a roupa é o de menos, pois o sapato é que é importante pra você pisar na cara dessa bicha.
hahahahaha.
Beijostôpobrenessefdsmassemanaquevemricaagain!
Para a próxima songs list:
http://www.youtube.com/watch?v=2T4BsnXmJaI&
Caracoliiiiiiiiis.... FELADAPUTA mór essa daí, heim!
Hey, acho q sou kaboom igual a vc... certamente teria ido a casa da moça com uma cópia do jornal pra jogar nela e atear fogo nos 2!
Mas o q vestir, sinceramente eu não sei...
=)
Janaaaaaaaaaaaaaaa, tô aqui, marvada!!!!!
Hehehehehehhe.
Beijo
Aimplesmente lambuza o corpo de calda de morango e não vista nada.
não sei se dá protege contra o fogo, mas que dá asas à imaginação alheia, isso dá.
... e quanto ao "nunca usei"... no comments.
;)
E o mundo está cheio de "feladaputas" como essa... Muitas freqüentam igrejas, colunas sociais, mas, um dia, acabam nas páginas policiais... Nem que seja com as algemas da Polícia Federal...
Postar um comentário