segunda-feira, 9 de novembro de 2009

Girassol Sintético

Feriado último, Finados, resolvi festejar a vida e fui a la playa de Canoa Quebrada, de onde trouxe de souvenir o bronzeado mais grotesco do estado. Não que eu já não tivesse uma cor ridícula antes de ir, é claro. Não, nada disso. Longe de mim. E de você também.


Acompanhe-me na linha temporal-cosmética do bronzeado malsucedido:


Antes: pedir-me para ficar de pé ao lado de alguém sem óculos escuros na praia, é nada medos que uma vingança escrotamente requintada. Ver a minha pele refletindo o sol, vai fazer com que o seu desafeto franza o cenho como se fosse obrigado a se lembrar de todas as figuras de linguagem da gramática portuguesa quando estivesse na urgência de ir ao banheiro devido a eminência de uma dor de barriga explosiva.

Durante: a tonalidade da minha cútis é um oferecimento do pavor que 12 entre 10 dermatologistas botaram em mim por eu ser sardenta e ter tido um princípio de vitiligo, quando mais nova. Mas, resolvi dourar, ficar toda gatinha, e eu, na minha inocência, burlei o “Não se esqueça! filtro solar 60, três vezes ao dia” para a escolha que parecia sensata (NÃO FOI!) de me emplastrar de filtro solar 40 no colo, apenas, onde o risco é maior e deixei o resto do meu corpo ensebado-free.


- Insira a figura mental do Coyote passando todo satisfeito um filtro solar Acme aqui -


Depois: bela girassol de araque essa que vos escreve, tem que se esconder do sol ao invés de se virar pra ele. O lugar que mais tentei proteger do sol foi, exatamente, onde queimou mais expondo os vários tons de vermelho misturados com sardas e marcas de soutien de biquíni que não parava quieto, reduzindo, assim, o sex appeal que um decote poderia ter para – 30 na escala Johansson.

Mas, nem isso fez com que a minha diversão e bom humor tivessem um final prematuro, pois já entendi tudo, minha vida nada mais é que um discurso em antífrase. Logo, continuei a curtir o feriado com as minhas ambições de ficar bêbada ao som de músicas diabólicas em companhias deliciosamente indevidas.

quarta-feira, 28 de outubro de 2009

MDQNTM: Eu, a última sensata.

Amar é...

- Sun, estou afim de um cara, mas ele disse que gosta de mim como amiga. O que você acha?

- Depende... Ele disse "gosto de você, como amiga" ou "gosto de você e como amiga!" ou "gosto de você e te como amiga"?

- Acho que o primeiro.

- Fácil. Apareça na casa dele. Nua. E leve cerveja.


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Paz, amor e cera depilatória, por favor

- Por que você não gosta de hippies?

- Não é que eu queira matá-los, só não gosto deles... Nojo.

- Por quê, Sun?

- Você já viu uma hippie que vende bijouteria na praia de bikini?

- Não. Porque uma verdadeira hippie ficaria nua.

- É, nua, como um Yetch.

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Aqui, Jazz vovô

- Sun, seu tio ligou dizendo que mandou ajeitar a sepultura do seu avô e o cara disse que havia feito uma surpresa pra ele colocando o nome dele e de sua tia na homenagem.

- Credo do meu nome em sepultura antes da hora.

- E ele ficou chateado disse para o cara que não era uma boa surpresa já que ele era o pai de 11, ter o nome só de dois na sepultura.

- Nem ia caber, né? Ah, manda ele pedir pro cara colocar Fulano, Cicrana & Uma Galera.

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I don't give a damn about my reputation!

- Ele tá lindo dormindo com o dedinho na boca, Sun.

- Uh-oh, seu filho chupa dedo?

- Chupa, quando dorme.

- Isso não é bom. Chupei dedo quando criança, mas, eu não chupei tão pequeninha, não.

- Como foi isso?

- Cheguei na alfabetização, era um ano mais nova que a galera. A menina que todo mundo achava amais legal da sala chupava dedo, e eu tinha que fazer o que tinha pra me entrosar. Aí, tome sete anos de aparelho ortodôntico.

- Que terrível.

- Esclarecida a origem do meu medo de ser uma pessoa de grupo. Anos mais tarde, quando cheguei na faculdade e a galera tava toda fumando maconha, me ofereceram e respondi "vão tomar no cu".

terça-feira, 20 de outubro de 2009

A Metade da Maçã / Maçã Podre

Nasci.

Abri os olhos, vi o desconhecido ao meu redor. Formas e cores. Inspirei fundo e tomei o meu primeiro fôlego. Queimação e odores. Comecei a me mexer e vi que tinha um desajeitado controle. Membros. Boca, olhos, dedos, mãos, braços, pés, pernas. Eu? Eu! Meus! Eu, minha! Felicidade.

Tatear, explorar, conhecer, aprender, dominar. Vontade.

Ponho-me de pé, viro-me para o lado e reconheço. Boca, dedos, mãos, braços, pés, pernas. Iguais. Toco. Eu? Meus? Não, diferentes. Outros, d’outro. Olhos? Fechados. Seios? Não tem. Entre as pernas, diferença. Ele, eu? Não. Ele, outro. Ambiguidade.

Tatear, explorar, conhecer, aprender, dominar. Vontade.

Abriu os olhos, viu-me nua ao seu lado. Mostrei impressionada odores, formas e cores. Ele disse: são flores, animais, árvores, frutos Tudo dele. Ele pôs nome. Eu, minha? Não. Ele, meu? Não. Mostrou a cicatriz do seu lado, explicou: Eu, Eva. Eu, dele. Metade.

Tateou, explorou, conheceu, dominou. Fez a sua vontade.


Suculenta, vermelha, proibida. Por que cravei as unhas, a dividi em duas partes e ofereci para Adão? Ele me ensinou sobre posse e aceitação e, eu quis ilustrar o que é incompletude, voracidade. Não dele, mas eu e ele, nós. E o plano de fuga: errando e errantes. Cumplicidade mesmo na dificuldade.

quinta-feira, 15 de outubro de 2009

Periódico

Ele lhe sorria sentado à mesa entre goladas de café e paginadas no jornal. Ela esperava que ele acabasse para que pudesse prosseguir com o seu hobby de recortar e colecionar notícias profanas.

No aguardo, praticava seu outro passatempo, o de desenhar grandes mosaicos prosaicos mentais.

Montava o sujeito em colagens: quarentão, destruído, sem graça. Não era brocha, nem o mais viril dos homens. A foda era meia-boca -- como sua vida toda havia sido. De certa forma, tudo isso a fazia lembrar de seu pai e daquela Páscoa há não sei quantos anos atrás, quando jurara nunca mais perdoá-lo. Ou seria Natal? Já não sabia mais distinguir se o colorido dos papéis eram dos presentes ou dos ovos de Páscoa. Perdera-se nas variadas cores das memórias tristes enquanto ele murmurava algo sobre as notícias.

Enfim, ele indignado com a sua ausência indaga:

- Quem precisa de mulher quando se tem cafeína?

Também mentalmente, ela colou a letra "T" entre o "E" e o "I" de cafeína. Era isso que ele pensara dela, ela o lia pela maneira de olhar.

Em seguida, lembrou do diálogo que teve com várias amigas. Todas muito recatadas. Tinha Fernanda que não conseguia gozar se não estivesse transando num local público que tinha nojo de Alice que só antigia ao clímax se fizesse meia hora de sexo anal e que, por sua vez, reprovava Diana quem não alcançava ao orgasmo se uma amiga sua não estivesse transando junto que sentia pena de Juliana que só conseguia gozar depois que fosse espancada, chamada de filhinha e começasse a chorar que se horrorizava com todas as outras. Cada uma delas haviam a chamado de louca varrida quando discorreu sobre a verticalização do mundo.

Veja bem – explicava ela para as amigas – qualquer um que já tenha tentado transar de pé, sabe da importância das camas. Senão delas, daquele colchãozinho furreca jogado no chão frio, ou pelo menos a coberta grossa e suja que pode ser estendida em qualquer lugar. O importante mesmo é a manutenção do princípio da horizontalidade.

Pausa mórbida de todas as amigas.

Outra coisa que todos sabem – continuava ela – é que a horizontalidade remete ao sinal de menos, ou seja, é a negação de algo, enquanto a verticalidade é o positivo, a afirmação. O que me traz à ponderação: o que negamos quando transamos?

Em consenso, Alice, Fernanda, Diana e Juliana, acreditavam que ela era louca. Uma depravada.

Pensou em abrir essa discussão com ele, mas então o fitou novamente. Uma nova colagem: intrigante, perdido, idealista, estúpido. Lembrou do namorado da adolescência. Ele tinha dezoito e ela catorze naquela época, fato que não impedia que ele lhe metesse a vara, sem que o seu pai soubesse, é claro. Mas, os flagrou num dia de Natal. Ou seria de Páscoa? Não se lembrava mais de que eram aqueles papéis coloridos nos quais haviam se deitado quando procuravam se esconder. Ela brigou com o pai e fugiu com o namorado. Realmente acreditava que aquilo daria certo, que ele era o homem de sua vida, o que ficaria com ela até o fim, ou pelo menos o que ela degolaria enquanto ele dormia. Ah, o homem da sua vida, aquele para quem ela se entregaria por completo e que a humilharia mortalmente depois. Mas, nem um nem outro aconteceu. A simples e natural antipatia juvenil se encarregou por terminar as coisas. O que negamos quando transamos? Quem precisa de mulher quando se tem cafeína? Quanto tempo se passou desde que ele a perguntara?

- Quem não sabe fazer café, obviamente, pois aí o panaca precisa de uma que saiba fazer um café quentinho de cafeteira pra ele. Acabou de ler o jornal?

Ele lhe sorria feliz entre goladas de café por saber que ela estava ali. Ela com a tesoura na mão, não o degolaria na segurança de saber que ele não era o seu pai, nem a paixão explosiva juvenil, tampouco, o amor de sua vida. Essa cena se repetia no mosaico prosaico de seus dias horientalizados pelo cotidiano sem fim.

terça-feira, 6 de outubro de 2009

2,604 caracteres e nenhuma reclamação


Terceiro final de semana consecutivo sem sair de casa. E eu não estou reclamando disso, pelo contrário, resolvi me divertir sozinha. Vou fazer do meu corpo a melhor festa do mundo e ninguém será convidado para ela.

Arrazoei isso, assim, do nada, enquanto estava parada em frente à geladeira com a porta aberta, vestindo minha calcinha de algodão cor da pele, toalha enrolada nos cabelos, analisando o que iria comer e terminando por pensar o que caberia nas minhas narinas.

A azeitona ou a uva? Com sorte os dois? Um em cada orifício. Talvez champignons nos ouvidos? Oh, nós não temos champignons!? O que é isso que estou pensando? Ok, eu vou morrer sozinha, mas tudo bem, já estou ciente disso desde duas horas atrás quando passei 15 minutos me encarando no espelho e descobri que tinha pele demais nos cotovelos. Azeitona ou uva? Os dois? O que é isso ali no fundo? Vejam só se não é meu dia de sorte, sobra dos sushis de supermercado que foram comprados três dias atrás!

Sentada à mesa, lutando contra meu melhor julgamento e o das pessoas que me amam, os comi. Um por um. Secos, duros e com um gosto esquisito. A razão de eu ser tão autodestrutiva quanto o assunto é comida é um dos mistérios do universo. Foi como daquela vez que tive uma pizza oleosa no almoço e três brigadeiros no jantar e não contei pra ninguém nada sobre isso, pois tinha a ciência de que se a minha mãe soubesse, iria requerer a minha custódia.

Nessas horas em que saboto a minha alimentação, minha cabeça fica tão repleta de besteiras e coisas velhas quanto a minha geladeira. Lembro-me de um namorado que tive na época do colégio (com quem eu não falo há uns dez anos) que é, agora, um pediatra vegetariano e (suponho) pai de uma família funcional e imagino o que ele deve estar fazendo. A resposta é usualmente “enchendo um longo copo de vidro com algum suco de fruta natural” ou “dormindo”. O motivo de eu utilizá-lo como barômetro da minha vida é outro dos infindáveis mistérios do universo. Acredito que é por eu sempre tê-lo visto como adequado-domesticamente, e, quando terminamos, foi porque estávamos tomando decisões e direções completamente distintas para não dizer opostas. Ele queria ser casar e ter filhos o mais rápido possível, eu queria viajar para Europa e, talvez, transar com um francês (também, o mais rápido possível).

Novamente, estava-se tratando da invisível contenda acirrada e, principalmente, muito mal resolvida entre razão e emoção que conspira para que nós vez-por-outra imaginemos se seria melhor se seguíssemos o prumo de nossa vida com a cabeça ou coração e passarmos o resto da vida na incógnita por ter escolhido um sobre o outro. Blarghs.

Sentada à mesa, lutando contra a linha de pensamentos que poderiam se tornar em arrependimentos, comendo sobra dos sushis de supermercado que foram frescos (com sorte) há três dias atrás ao invés de estar enchendo um grande copo de vidro de suco, fazendo do meu corpo minha festa particular sem saber que algumas horas depois meu estômago lançaria fogos de artifício garganta afora, lembrei do romance que tive com outono da Alemanha de douradas folhas que beijavam o chão e me senti feliz de estar exatamente onde estava.

sexta-feira, 2 de outubro de 2009

Qui puxa!

eu tinha na cabeça um longo argumento sobre tradições e novas tecnologias para prolongar as idéias que expus AQUI, só que bateram no meu carrinho zerinho vermelhinho, e isso levou de mim a inspiração e vários dinheiros, o meu carro de reboque e me trouxe a oportunidade de passar mais um final de semana em casa sem maquiagem.

Pelo menos está tudo bem, estou menos machucada do que quando estava gripada. Bom, na verdade tirando o bolso, o orgulho, e um coração cheio de saudades nada ficou machucado.

Eu juro que vou parar de reclamar.

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Eventualmente.

segunda-feira, 28 de setembro de 2009

MDQNTM: Cara, cadê a minha empatia? (e a sua higiene pessoal?)


- O clima tá super maluco. Faz muito calor de dia, frio a noite.

- Cruzes. Nojo!

- O que foi?

- Agora que aquela tua colega de trabalho vai feder pra valer. Mais calor, ar-coindicionado ligado, janelas fechadas...

- Coitada!

- Taí que eu não tenho pena mesmo.

- Ah, esqueci, você é a Sunflower - a implacável.

- Claro, é HIGIENE PESSOAL que falta nela, não é um braço ou uma perna.