Feriado último, Finados, resolvi festejar a vida e fui a la playa de Canoa Quebrada, de onde trouxe de souvenir o bronzeado mais grotesco do estado. Não que eu já não tivesse uma cor ridícula antes de ir, é claro. Não, nada disso. Longe de mim. E de você também.
Acompanhe-me na linha temporal-cosmética do bronzeado malsucedido:
Antes: pedir-me para ficar de pé ao lado de alguém sem óculos escuros na praia, é nada medos que uma vingança escrotamente requintada. Ver a minha pele refletindo o sol, vai fazer com que o seu desafeto franza o cenho como se fosse obrigado a se lembrar de todas as figuras de linguagem da gramática portuguesa quando estivesse na urgência de ir ao banheiro devido a eminência de uma dor de barriga explosiva.
Durante: a tonalidade da minha cútis é um oferecimento do pavor que 12 entre 10 dermatologistas botaram em mim por eu ser sardenta e ter tido um princípio de vitiligo, quando mais nova. Mas, resolvi dourar, ficar toda gatinha, e eu, na minha inocência, burlei o “Não se esqueça! filtro solar 60, três vezes ao dia” para a escolha que parecia sensata (NÃO FOI!) de me emplastrar de filtro solar 40 no colo, apenas, onde o risco é maior e deixei o resto do meu corpo ensebado-free.
- Insira a figura mental do Coyote passando todo satisfeito um filtro solar Acme aqui -
Depois: bela girassol de araque essa que vos escreve, tem que se esconder do sol ao invés de se virar pra ele. O lugar que mais tentei proteger do sol foi, exatamente, onde queimou mais expondo os vários tons de vermelho misturados com sardas e marcas de soutien de biquíni que não parava quieto, reduzindo, assim, o sex appeal que um decote poderia ter para – 30 na escala Johansson.
Mas, nem isso fez com que a minha diversão e bom humor tivessem um final prematuro, pois já entendi tudo, minha vida nada mais é que um discurso em antífrase. Logo, continuei a curtir o feriado com as minhas ambições de ficar bêbada ao som de músicas diabólicas em companhias deliciosamente indevidas.

